Wanderson Petrova é daquelas figuras que não passam batidas pelo mundo. Artista visual, performer, ilustrador, muralista, cenógrafo — ele é tudo isso e mais um pouco. Vive das possibilidades que a arte oferece. E quando não oferece, ele dá um jeito. “Criar é como respirar”, diz ele, como quem transforma cor em oxigênio.

E foi com um spray na mão, pintando o seu primeiro grafite, que esse cearense do Crato deu um passo que o levaria a caminhos inimagináveis. Um deles? Uma colaboração com ninguém menos que Madonna, colorindo paredes para crianças no Malawi, no Mercy James Institute — um dos grandes marcos da sua trajetória.

Agora chegou a vez de Lady Gaga cruzar seu caminho. A equipe da cantora se encantou com os murais gigantes espalhados pelo Cariri, muitos deles com o rosto de Gaga estampado, e incorporou as obras ao lançamento de Mayhem, novo trabalho da artista. E lá estava Petrova, vestindo o figurino que ele mesmo montou, com os grafites retratados no site oficial de uma das maiores estrelas da música pop.

O timing é perfeito, já que a aproximação com Gaga aconteceu pouco antes de a nova-iorquina desembarcar no Brasil para seu show na Praia de Copacabana no dia 3 de maio — um evento que parou o país e está no The Guinness World Records.

Mas antes de Gaga, havia Ivanilda. A mãe. A fortaleza. Havia também o companheiro Deivison, que compartilha tinta e afeto nas criações espalhadas pelas comunidades do Cariri. Havia a experiência como arte-educador, há quase uma década, junto aos jovens em cumprimento de medidas socioeducativas pelo Estado do Ceará.

“Arte encontra arte. Amor encontra amor”, afirma. E não é só uma frase bonita. É uma espécie de mantra que Petrova aciona ao pintar mulheres fortes em uma região marcada por violências, como o feminicídio. Seus grafites não são apenas estéticos — são posicionamentos.

Hoje, suas peças circulam o Brasil e começam a ganhar o mundo. Mas sua base segue sendo o sertão, onde estuda Artes Visuais na Universidade Regional do Cariri. Com os pés fincados no chão de barro e os olhos mirando horizontes que só a arte pode alcançar, Wanderson segue colorindo o que for possível. Porque a arte, quando nasce do afeto, não tem limite de onde pode chegar.