“Moda do João, lá do Maranhão” é a frase que o estilista João Belfort mais gosta de ouvir. Desde o lançamento da primeira peça de roupa em 2016, ele ainda se espanta ao observar todos os clientes e espaços que a marca conquistou. “Eu tinha aquele desejo de chegar lá, mas quando chega, tu não sabe reagir. Sou um pouco tímido, então meu lema é mais fazer do que mostrar”, diz.

A história da marca maranhense começa em 2015. Belfort era stylist e fazia suas próprias camisas estampadas. Os amigos elogiavam, diziam não encontrar peças com modelagens e cortes parecidos em nenhum lugar de São Luís. João decidiu então produzir para os amigos, alguns deles artistas para quem fazia styling, e em 16 de junho de 2016 lançou a primeira coleção, inspirada no São João do Maranhão.

O designer garimpa tecidos com estampas que dialogam com a arquitetura, as festas populares, a fauna e a flora do Maranhão. É o caso da minicoleção recém-lançada, inspirada no mesmo tom de vermelho do guará – ave muito encontrada nos manguezais maranhenses. A modelagem é pensada para permitir movimentos fluidos – João estudou balé e dança popular, e queria peças urbanas que dessem essa liberdade. Viscose e viscolinho são seus tecidos prediletos, pelo caimento leve que proporcionam.

Também decidiu que a marca seria oversize e agênero. Para dar um senso de comunidade entre os clientes assíduos, criou uma playlist no Spotify com o nome da marca, com as músicas que escuta enquanto faz a modelagem das peças.

Hoje ele tem quatro pessoas na equipe, e é adepto da produção slow, fazendo poucas peças de cada coleção. “Prefiro trabalhar sob encomenda para não gerar desperdício.” Ao vender uma peça, João quer que o cliente se sinta confortável. “Os elogios que mais gosto de receber são de clientes dizendo que o tecido é gostoso. A ideia é a pessoa se sentir abraçada.”

Democrático, quer que sua moda esteja “tanto dentro da periferia, como no condomínio no lugar mais caro do mundo”.
João sonha em levar a marca para outros Estados e para fora do país, mas sofre com as limitações geográficas e econômicas do Maranhão. “Não somos vitrine no setor de moda e estamos distantes dos grandes polos. As revistas não conhecem o que fazemos. Se o cliente tem como comprar uma marca parecida e mais próxima, ela não vai pagar frete mais caro para ter uma peça Moda do João.”

Mas Belfort não tem pressa. “Prefiro crescer aos poucos. Não quero que a marca vire modinha que dura uma estação e todo mundo esquece. No dia que a Moda do João for esquecida, eu morro. Quero que minha moda circule, mas sempre com significado”, diz.

Em junho vem nova coleção, inspirada novamente no São João do Maranhão. Além das estampas, Belfort vai acrescentar bordados e aplicações nas peças, e também questionamentos políticos. A Moda do João também deve lançar em breve uma collab com a Fábula, hoje a mais desejada marca de moda infantil do país, que vende também no exterior. A inspiração será a capital São Luís. É o sonho de romper as fronteiras do Estado se concretizando. A gente torce e vai acompanhar cada passo.
A marca comercializa suas peças pelo @modadojoao ou pelo Whatsapp (98) 99908-7096.