Marina Bitu é surpreendente. Crescida no interior do Ceará, cercada por avós que eram mestres em gastronomia e costura, poderia ter construído sua marca em cima da tradição das rendeiras e crocheteiras da região. Ela até faz isso. Mas Marina se consagrou criando surpreendentes vestido plissados, leves e com DNA 100% nordestino.

É que a sanfona é sua maior inspiração ao desenhar os plissados que são marca registrada em suas coleções. “A memória do plissado vem da minha infância, no interior do Ceará, dos grandes mestres sanfoneiros”, explica Marina (é ela na 4ª foto da galeria à esquerda). Deve ser por isso que seus belíssimos vestidos são leves e poéticos, a cara do Ceará, bem distante dos plissados mais rígidos e sisudos da moda europeia.

Hoje com 30 anos, Marina cria desde os 18. Herdou das avós o gosto e a habilidade pelo fazer manual. Talentosas na arte da gastronomia e da costura, elas deixaram o legado do cuidado, da atenção aos detalhes e do amor traduzido pelas mãos. A marca tem como premissa o comprometimento com o desenvolvimento sustentável, e seus principais valores são o respeito ao próximo e à natureza.

A partir da prática do slow fashion, a produção das peças acontece em baixa escala, com a utilização de matérias-primas naturais e reutilizáveis, além de mão de obra local, em uma relação justa e aberta entre produtores e consumidores. Por isso, não está lá muito preocupada em baratear o preço de suas peças. “É caro porque vale. Tem que ser moda sustentável para todo mundo. Não quero que minhas costureiras tenham de trabalhar 12 horas por dia para sobreviver.”

Além dos plissados, Marina Bitu utiliza o linho e a seda e bordados em linha de algodão. A marca foi lançada em 2017, em sociedade com Cecília Baima, amiga de longa data de Marina. Antes de sua marca homônima, Marina exercitou sua criatividade na moda nos períodos em que trabalhou para a Água de Coco e AnaMac, duas grandes escolas da moda no Ceará.

A Marina Bitu começou com uma coleção cápsula de túnicas de seda, a primeira experiência da designer com a pronta entrega. “Sofri um pouco porque sou muito reticente sobre esse ritmo alucinado da moda. Não concordo, não me encaixo, faz mal ao planeta. Mas decidi que minha marca seria de slow fashion, produzindo num ritmo e na quantidade que fizessem sentido para mim”, afirma.

A designer faz o que prega. Quando começou a pandemia, por exemplo, ela diminuiu o ritmo de produção, e não apenas por conta de todas as dificuldades de produzir em uma situação de lockdown. “Fiquei pensando: quem quer consumir agora? Por mais lindo que fosse a peça, com toda a insegurança econômica e sobre o futuro, quem iria querer gastar dinheiro com um vestido?”

Marina é assim: sincera e coerente até a alma. Perfeccionista, quase obsessiva com detalhes e a coerência de seus produtos, Marina também respeita seu próprio tempo e, quando se sente pressionada demais, diminui o ritmo mesmo que perca vendas. A primeira coleção pós-pandemia está para ser lançada. A gente não vê a hora!

@MarinaBitu 

www.marinabitu.com 

Fotos: Anie Barreto