Pernambuco tem sido celeiro de marcas cujo carro-chefe é a estamparia com referências regionais – pense na Duas, Oh!Laria e Proa. E há um novo nome dando o que falar, desta vez vindo de Olinda: a Seu Maraca, fundada há dois anos pelo professor de história Osvaldo Bruno para mostrar ao mundo o que é “Original Olinda Style”.

Professor simultaneamente de 4 escolas da cidade, Bruno entendeu que precisava desacelerar depois de uma Covid que o levou à UTI, com 60% do pulmão comprometido. “A experiência de quase morte transforma a gente. Quis mudar minha rotina e fortalecer minha relação com a arte”, conta o professor, que tocou por anos em grupos de Maracatu e por isso tinha o apelido de “Maraca”.

Fã de camisetas estampadas, chamava atenção dos alunos pelo estilo. Com mãe, avó e tias costureiras, teve o insight de transformar seu próprio “Olinda Style” em produto. A primeira leva de camisas não foi autoral: Bruno comprou o tecido pronto e mandou produzir 44 unidades. Em um mês vendeu 43 e ficou com uma, claro. Uma aluna o inscreveu em uma feira de moda e ele correu para criar e confeccionar mais 70 peças. Sucesso de novo.

Depois desses testes, Bruno entendeu que precisava estudar a área. “Não sou da moda, estou na moda.” Entrou para o programa de aceleração de marcas do governo pernambucano e, por um ano, se dividiu entre as quatro escolas onde lecionava e a Seu Maraca.

Ao fim do curso, criou uma coleção em homenagem aos 30 anos do Manguebeat. Bruno contou com a colaboração da artista Marília Matoso, também pernambucana, para o desenvolvimento de cinco estampas: uma das ilustrações homenageava os mestres do Manguebeat, outra fazia referência às periferias de Olinda e Recife, berços do movimento.

Na semana passada, a Seu Maraca saiu de terras pernambucanas para participar pela primeira vez de uma feira em outro estado. E logo a maior do gênero no país! Integrante da curadoria NORDESTESSE no Carandai 25, lançou no Rio de Janeiro “Biografia de Lia”, estampa em homenagem aos 80 anos da Rainha da Ciranda, também desenhada por Marília. “Fizemos a ilustração no tom do mar de Itamaracá, chamado pelos moradores de ‘verde louco’.”

A etiqueta já está com a segunda coleção pronta, que se chamará “Saudades do Recife”. “Com a especulação imobiliária, a construção de shoppings e condomínios de lixo, nós fomos afastados da capital e perdemos nossa ligação”. Uma das estampas brinca com o fato da cidade ser mal assombrada e outra fala dos cinemas de rua que teimam em resistir. Há ainda que homenageia os poetas e as poetisas e uma sobre os manguezais, outra crítica ao crescimento desenfreado às custas da natureza.

Com um historiador no comando da marca, a gente sabe que não vai faltar história para contar!