Crochê-escultura
Crochê-escultura
A história da piauiense Casa Cactus pode ser dividida entre antes e depois da pandemia. Fundada em 2019 como uma marca de camisaria masculina, hoje chama atenção pelas peças escultóricas em crochê – que já conquistaram estrelas como Anitta – e pelo uso de técnicas artesanais, a partir de sementes e matérias-primas naturais, como madeira de reaproveitamento, opalas e olho de boi.
Inicialmente voltada à camisaria e ao linho, com uma loja física em Teresina como principal modelo de negócio, a marca precisou se reinventar com a chegada da pandemia, o isolamento social e o fechamento do comércio. Foi nesse processo de remodelação que a dupla passou a desenvolver as próprias peças e encontrou no crochê um caminho para experimentação.
A técnica abriu espaço para investigar diferentes possibilidades, como maneiras de pintar sobre a trama sem comprometer sua maleabilidade, transformando vestidos em verdadeiras telas vestíveis.
O uso de pedras e sementes como adorno veio logo em seguida. A incorporação de matérias-primas naturais se conecta à trajetória de um dos criadores da marca, Eduardo Barros, de 25 anos.
Nascido em Pedro 2º, município piauiense conhecido pela tradição artesanal e pela extração de opalas, Eduardo incorporou referências de seu território às criações da marca, com o uso pedras como a jarina e, claro, opala e madrepérolas.
Foi Eduardo também o responsável pela escolha do crochê como marca registrada da nova fase da Casa Cactus, já que cresceu rodeado de crocheteiras em Pedro 2º. Antes da pandemia, já vinham fazendo aplicações de crochê nas golas e bolsos das camisas masculinas. Quando elas pararam de vender no lockdown e com a loja de portas fechadas, decidiram testar o feminino tendo o crochê como base.
Hoje, com loja física novamente em operação em Teresina, a Cactus encontrou um público interessado em criações únicas e com acabamento e materiais que escapam do lugar-comum.
Com uma rede de 30 artesãs, mescla crochê, pintura e bordado, além de aplicações de materiais inusitados como sementes de açaí, olho de boi, jarina e olho de cobre.
Entre as clientes fiéis, além de Anitta que usou peças da marca nos visuais do álbum Equilibrivm II, estão as influenciadoras Gessica – mais conhecida como GKAY – e Isabele Temoteo – nada mal para uma marca com menos de 5 anos e que vem de um estado sem maiores tradições na moda.
É o Nordeste provando mais uma vez que é o celeiro criativo do Brasil.