Bolsas “de suvaco”, transversal, tote, clutch, porta-celular. São vários os modelos do Atelie Masanga, mas todos têm um ponto em comum: são feitos manualmente pelos baianos Ueslei de Freitas e Felipe Borges a partir de contas de madeira.

Tudo começou quando Ueslei quis fazer algo especial para presentear o namorado, Felipe, em seu aniversário. Apesar de nunca ter criado nenhum acessório, nem bijuterias, o professor de biologia sempre foi fã de trabalhos manuais. “Pesquisei na internet, apanhei no começo, mas deu certo”, lembra. A bolsa fez sucesso e começaram a receber encomendas de conhecidos.

“Foi aí que tive um estalo: e se acrescentarmos texturas e contas diferentes, por exemplo?”. Assim nascia, em 2023, o Ateliê Masanga, com foco em bolsas feitas exclusivamente de contas de madeira com uma estética moderna e inspirada em modelos que estão em alta, mas com referências ao artesanato do Recôncavo Baiano, onde Ueslei e Felipe nasceram e onde moram até hoje.

Masanga, o nome da marca, também foi escolhido como uma referência às origens de seus criadores – é uma palavra africana que significa “contas de vidros miúdas” – nossas miçangas. Já as referências ao Nordeste aparecem de formas nada óbvias. É o caso da Lampião, bolsa inspirada no objeto usado para iluminar as noites em casas do sertão. Também tem a Caju, que é uma homenagem dupla: ao álbum da cantora Liniker e à fruta típica da região.

Apesar de novo – o Masanga tem menos de dois anos –, a marca já cruzou as passarelas do São Paulo Fashion Week. Em outubro do ano passado, Pedro Batalha e Hisan Silva, da marca também baiana Dendezeiro, convidaram a etiqueta para criar algumas peças para coleção Brasiliano. “Saímos totalmente da nossa zona de conforto porque fazemos bolsas, mas acabamos desenvolvendo também uma regata e uma saia.”

Hoje o Masanga vende suas peças online, pelo Instagram ou WhatsApp. Ueslei e Felipe trabalham em um modelo “slow fashion” porque todo o processo ainda é100% manual. “Cada bolsa tem um tempo, mas nenhuma demora menos que um dia. Como vamos costurando miçanga por miçanga, se erramos em algum momento é preciso desfazer e começar do zero.”

Não é esse o verdadeiro significado de peça de luxo?